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quinta-feira, 10 de maio de 2018

ACTUALIDADE

Elogio a Aníbal Aleluia

Aníbal Aleluia: «Da parte paterna, só conheço a genealogia até ao meu bisavô, precisamente Aníbal Aleluia, vindo, segundo me contaram os meus ascendentes, “muito de fora”. Meu avô, Henrique Aníbal Aleluia, e meu pai, Roberto, Roberto, eram naturais de Séui (Inhambane, cidade). Eu nasci na Península de Linga-Linga. Desde o meu bisavô, eu é que quebrei a tradição de construtores barcais.»
 
Henrique Aníbal Aleluia descrevia-me, assim, a sua ascendência. Nascera em Agosto de 1921. Estávamos em Agosto de 1990. Da parte materna registava que a família remontava ao século XVI. Registei esse diálogo para um livro de entrevistas: Os Habitantes da Memória. Naquele dia, como em outras diversas ocasiões em que me atardei a ouvi-lo e a cumpliciar com ele, senti que o tempo que vivera – atravessara dolorosamente o período colonial – deixara marcas vivas e fortes. Também percebi que estava diante de um homem que soubera perseverar. Um homem obstinado. Tinha uma bondade extraordinária. Tinha uma respeitável e caudalosa cultura.
Leitor compulsivo, chegara a ler dez romances por mês quando frequentava a Escola de Professores. Observador atentíssimo da realidade. Os seus escritos nasceriam desse olhar avisado (“os meus contos nascem da observação de factos do quotidiano, um gesto, uma palavra”). Além disso, era um nómada: “calcorreei Moçambique de tal modo que vivi no extremo norte (em Palma), em Angoche (a Leste), a Oeste (Zóbuè e em Espungabera) e aqui no Maputo, que conheço desde 1935” (Aníbal Aleluia).  
Esteve para ser professor indígena (era assim que se designava!), foi enfermeiro, escreveu para jornais, foi escriturário. Palmilhou o país. Tinha um profundo conhecimento do país, eu diria até antropológico. Ainda se matriculou em Direito, contudo as adversidades da vida impediram-no de fazer o curso. Era um homem culto, uma biblioteca ambulante. Falava, com rigor, um português escorreito, culto, sem perder a sua pronúncia de Inhambane. Para além de assinar com nome próprio, Aníbal Aleluia escreveu sob diversos pseudónimos: Roberto Amado, Augusto António e Bin Adam.
Redigi, anos depois, no empolgado lead daquela remota entrevista: “Tinha eu um grande afecto pelo velho Aníbal Aleluia. Tinha igualmente um enorme respeito pela sua trajectória que foi marcada por uma corajosa persistência de um homem que sempre teimou em afirmar a sua dignidade. Era uma lição exemplar a daquele senhor que escondia na sua modéstia uma grande sabedoria porque sabia que não há Faculdade que substitua a vida.”
Não me cansava de ouvi-lo. Tinha uma história de vida exemplar: corajoso, persistente, digno. Escrevera no Itinerário e n'O Brado Africano. Chegou à ficção porque António Caetano Fernandes – uma figura do burgo lourenço-marquino – o informa de que na revista Elo havia quem “asseverasse existir um substracto orgânico que incapacitasse o negro de fazer ficção e a minha recusa é disso prova bastante.” Na época, Aleluia achava a intervenção nos jornais mais adequada ao espírito contestatário que animava a sua geração. A ficção, algo lúdico, não lhe parecia ter essa capacidade reivindicativa, era demasiado “frouxa”. A despeito, esse repto levou-o a escrever um conto. Ainda julgou ser o único. Não o foi. Entre 1955 e 1956 escreveu os contos que iriam constituir Mbelele e outros contos. Os textos permaneceram na gaveta décadas. Publicou-os à beira dos 70 anos. Publicaria ainda O Gajo e os Outros. Estão por editar Contos Avulsos e Contos do Fantástico Litoral.
Tinha um livro a caminho do prelo nos primórdios da década de 60. Retirou-o quando foi preso a 27 de Maio de 1961 pela PIDE, acusado de ser “nacionalista africano”. Diziam que “mancomunava com o Baltazar da Costa a revolta do Norte da Zambézia”, acusavam-no, delirantemente, de se encontrar com o Dr. Banda, do Malawi, atribuíam-lhe filiação ao MUD-Juvenil. Tudo invenções de “bufos do Zóbuè, na sua maioria enfermeiros.” Os contactos que ele tinha: os Democratas. Santa Rita, Soares de Melo, Ricardo Fernandes, Rainho da Silva e Bradeiro de Matos. Ele trabalhava no Foro, praticava para tirar a carta de solicitador.
Aníbal Aleluia: “Eu pertenço ao número dos que não fizeram da detenção crachá nem bandeira e muito menos gazua.”
Do vício da leitura, que lhe vinha da infância, acompanhava o que se escrevia na então emergente literatura moçambicana. Lia José Craveirinha, Noémia de Sousa, Rui Knopfli, Rui Nogar, Ruy Guerra, Fonseca Amaral, Augusto Santos Abranches. Lia Sobral Campos, Alípio Rama, António Só, Irene Gil, Glória de Sant’Anna, Augusto Conrado, Rui de Noronha. Lia sobretudo os poetas. “A prosa era monopolizada por um homem que se orgulhava de ser fascista e cuja temática colidia com os meus pontos de vista.”  
Quando eu era miúdo cultivava a prática de estar com os mais velhos. Gostava de ouvir os precatados. Visitava-os, lia-os e interpelava-os. Atraía-me a memória. Sempre me fascinou a memória. O conhecimento, a experiência, a sabedoria, a sagacidade, a inteligência. Ouvir do aviso dos que nos podiam alertar. Ouvir a história, diversa daquela que estava nos compêndios. Sobretudo num contexto em que o passado era uma espécie de oráculo. Aníbal Aleluia disse-me, naquela remota conversa, que andava às voltas com um romance histórico. Isso aguçou a minha curiosidade. Qual era a ideia central do romance? – quis saber.
Aníbal Aleluia: “Que o nacionalismo (chamemos-lhe antes proto-nacionalismo) brotou no Centro e Norte, antes do Sul. Nunca vi esta tese defendida pelas oficinas de História oficiais. O berço da resistência anti-portuguesa não é Gaza, como se convencionou oficialmente por razões que me parecem tribais, mas Angoche, onde, desde o tempo de Mogossurima, no século XVIII, até ao sultanato de Farley, já no limiar deste século, os sultões cotis, de origem quiloana, opuseram o Crescente à Cruz.”
Para mim foi um dos grandes privilégios da minha vida conviver com Aníbal Aleluia. A amizade partilhada com gente da estirpe da do Aníbal Aleluia. E não estou só. O Marcelo Panguana, num livro recente, Os Peregrinos da Palavra, que recolhe velhas entrevistas, ao falar do Aleluia releva o mesmo tipo de sentimento que eu tenho ao enunciar que “tive a honra de conviver com Aníbal Aleluia”, de quem escutava “palavras sábias.”
Marcelo Panguana: “Detentor duma invejável cultura geral, de extraordinária memória e um profundo domínio da língua portuguesa, adicionados à sua coragem e frontalidade, cedo se transformou numa incontornável referência nos meios literários.”
Revejo-me nas palavras do Marcelo: “Infelizmente somos pouco dados à evocação dos nossos mortos, mesmo quando possuem a grandeza que os diferencia dos simples mortais. E penso que será esta uma das razões pelas quais não somos capazes de aumentar os níveis da nossa moçambicanidade e enriquecer a nossa auto-estima. E o que se torna mais grave é a incapacidade de indicar às novas gerações as referências nacionais que escreveram, a seu modo, a história deste país. Aníbal Aleluia quase que deixou de fazer parte da nossa memória colectiva, tal como acontece com outras figuras que se tornaram célebres. Hoje, pouco se fala do poeta Rui Nogar. Recusamo-nos a reconhecer a importância de um Estêvão Macambaco na história da pintura moçambicana. Como alguém dizia, no nosso país, quando uma figura de destaque morre, morre de vez! De resto, incapazes de homenagear os vivos, como seríamos capazes de idolatrar os mortos?”
Quando, em 1984, surgiu a Charrua, fundada por um grupo de jovens irreverentes – Eduardo White, Armando Artur, Juvenal Bucuane, Ungulani Ba Ka Khosa, Hélder Muteia, Filimone Meigos, Marcelo Panguana, entre outros – Aníbal Aleluia haveria de participar activamente naquele projecto e abraçar o seu ideário. Ali estava ele, no meio daquela juventude: escreveu e publicou imenso na Charrua. O Aníbal tinha a juventude e a irreverência da nossa geração. Atrevo-me a dizer, não obstante, o facto de ele ser oriundo de outras décadas, que Aleluia pertencia à nova geração de escritores moçambicanos. Um outro testemunho, o de Ungulani Ba Ka Khosa, num texto do livro Cartas de Inhaminga, numa fabulosa evocação geracional, na qual honra a escrita do Eduardo White, fala de Aníbal Aleluia.
Ungulani Ba Ka Khosa: “Criámos uma revista, a CHARRUA, lutámos pelos nossos ideais literários, formámos uma malta maravilhosa que estendeu os laços de solidariedade até aos dias de hoje, com respeito às idiossincrasias de cada um: Juvenal Bucuane, Pedro Chissano, Aldino Muianga, Marcelo Panguana, Armando Artur, Hélder Muteia, Filimone Meigos, Tomás Vieira Mário, Ídasse Tembe, Nelson Saúte, Pinto de Abreu, o falecido Aníbal Aleluia, o também falecido amigo Ciprian Kwilimbe, e outros. Foi um período fecundo. A poesia, o lugar dos deuses no nosso panteão. E não foi por acaso que a colecção por nós criada na Associação dos Escritores Moçambicanos, a Colecção Início, teve como obra iniciática o Amar sobre o Índico, do Eduardo White. Em White, como dizíamos, nesses tempos de iniciação, estava o vulcão em permanente actividade. Dele são os versos: E hei-de ser o veneno/ o infame selvagem/ o duro seio das rochas/ e moldar no barro a pele que me acolhe.”
Ba Ka Khosa refere-se a factos de 1984. O Aldino Muianga era o mais velho entre nós e tinha 34 anos. O Juvenal Bucuane e o Marcelo Panguana tinham ambos 33 anos. O Pedro Chissano tinha 28 anos. O Ungulani, 27 anos. O Tomás Vieira Mºario estava com 25 anos, o Filimone 24, o Muteia 24, o Armando, 22, o White 21, o Pinto de Abreu 19 e eu, 17. Estávamos nos antípodas do sistema. Acreditávamos que a literatura era o lugar do questionamento, da indagação, da crítica. Por vezes, muitas vezes, éramos severos em relacção ao establishment. Éramos rebeldes. Aníbal Aleluia tinha 63 anos e estava connosco. Isso foi extraordinário. Pode atestar-se aqui a sua juventude. Nos nossos convívios, entre cerveja, coca-cola e muita zombaria, seja no bar da Cindoca, na cave, ou nos bancos do jardim, da AEMO, divertíamo-nos a caricaturar, afectuosamente, o recorte peculiar do português do nosso Mais Velho Aníbal Aleluia.  
Por vezes, perante aquela transbordante sabedoria, perguntava-lhe se não escreveria memórias. Admitia que sim. Mas também lembrava que a sua vida tinha sido marcada por dificuldades e que talvez “a leitura do meu testemunho acordaria em algumas pessoas recordações amargas.” E disse-me, na sequência disso, uma frase brutal: “Tenho um hábito que atrai empatias incómodas.” Dizia-o magoado, de certo modo, por se sentir incompreendido. Creio que ele morreu com essa mágoa. “Chamar as coisas pelos seus próprios nomes sem chamar nomes às pessoas.” Era isso o que ele dizia e praticava.
Em Fevereiro de 1989, fomos a Lisboa, a um congresso de escritores, ele partilhou comigo muita recordação da sua vida sofrida, das suas memórias magoadas, mas falou sempre com candura dos jovens que escreviam à época e foi gratificante ouvi-lo. Estava encantado com aquela viagem e um dia retornou ao hotel, exultante, depois de ter reencontrado Almeida Santos. No ano seguinte, fui-me embora daqui. Deixei de o ver. Continuei a lê-lo e a recordá-lo. Faleceu a 14 de Maio de 1993. À época redigi, para o Jornal de Letras, onde assentara arraiais, um “Elogio de Aníbal Aleluia”. Texto juvenil e ulcerado, comovido e agradecido. Como estou hoje e sempre.
Tenho-me recordado dele, amiúde. A sua bondade, a sua transbordante sabedoria, a sua cultura e a imensidão do seu carácter. O homem probo e generoso, que me aceitou, entre o fim da minha adolescência e o início da minha idade adulta, como seu igual, como seu par. Recordo-me das nossas intermináveis conversas. E estou grato a essa magnanimidade. A antiga Eduardo Noronha, no bairro da Coop, é agora Rua Aníbal Aleluia. Em tempos frequentei idilicamente aquela rua. Continuo a passar por lá. Ontem, divisando o nome na chapa da rua do meu bom amigo Aníbal Aleluia, inclinei ligeiramente a cabeça, em sua honra, agora que passam 25 anos sobre a sua morte, a quem faço esta humílima vénia aqui nestas páginas

terça-feira, 3 de abril de 2018

ACTUALIDADE, INTERNACIONAL

Papa Francisco envolvido numa polémica sobre o inferno

O papa Francisco iniciou, hoje, no Vaticano, as cerimónias da Páscoa, que este ano estão a ser marcadas por medidas de segurança e por uma declaração controversa do líder católico a negar a existência do inferno, escreve a Lusa.
O papa tem previsto para hoje, na basílica do Vaticano, a celebração da Paixão de Jesus, e depois a tradicional Via Sacra no Coliseu de Roma, símbolo das perseguições aos primeiros cristãos.
As comemorações solenes coincidem com uma nova controvérsia de comunicação no Vaticano sobre a afirmação do papa de que o inferno não existe. "O inferno não existe, o que existe é o desaparecimento de almas pecaminosas", disse o papa em entrevista concedida a Eugenio Scalfari, fundador do jornal italiano La Repubblica, citado pela Lusa.
O Vaticano apressou-se hoje a reagir às palavras atribuídas a Francisco, não negando a afirmação do papa, mas dizendo apenas que o jornalista, que fará 94 anos em Abril, reconstruiu uma conversa. "Nenhuma frase colocada entre aspas [na entrevista] deve ser considerada como uma transcrição fiel das palavras do santo padre", declarou o Vaticano, observando que Francisco certamente se avistou com Eugenio Scalfari, mas não numa entrevista.
Citado pelo La Repubblica, o papa afirmou que "aqueles que se arrependem recebem o perdão de Deus e tomam seu lugar entre aqueles que O contemplam, mas aqueles que não se arrependem e que, portanto, não podem ser perdoados, desaparecem".
O catecismo oficial da Igreja Católica, escreve ainda a Lusa, no entanto, declara "a existência do inferno e sua eternidade", segundo a sua transcrição no 'site' do Vaticano.
Esta é a segunda controvérsia envolvendo o papa e Scalfari, quando, após uma entrevista de Francisco em julho de 2014 ao fundador do La Repubblica, o Vaticano negou declarações atribuídas a Francisco a assinalar que existiam soluções para o celibato dos padres

segunda-feira, 26 de março de 2018

ACTUALIDADE

II Seminário de Jornalismo Cultural: Apostar na reflexão para construir cidadãos críticos
A FORMA como as matérias sobre as artes e cultura são reportadas na media foi a temática dominante na abertura, ontem, do II Seminário de Jornalismo Cultural, a decorrer até amanhã no Camões – Centro Cultural Português, em Maputo.
Sob o lema “Cultura e Arte como Factores de Desenvolvimento”, os oradores fizeram intervenções que estimulam a inclusão da crítica, destacando o editoriasparticipação activa dos que lidam com estas matérias, daí terem sido convidados académicos, gestores culturais, fazedores das artes, entre outras personalidades.
Alexandra Pinho, directora do Camões – Centro Cultural Português, considerou que o jornalismo cultural não pode ser meramente noticioso, mas deve ser desafiador, “provocante” e que se posiciona de forma diferente de outras abordagens jornalísticas.
O embaixador da União Europeia em Moçambique, Sven Von Burgsdorff, frisou que o seminário tem o condão de permitir que se discuta a empregabilidade, na indústria cultural, de uma massa crítica que tem tendência de ir ao emprego rural e informal.

Preservar identidades
O jornalismo cultural tem de explorar questões relacionadas com a identidade e não se limitar às artes, defenderam os oradores do painel inaugural, cujo tema era “Media e Cultura: Caminhos para Desenvolvimento e maior Cidadania”.
Sob moderação do académico Aurélio Ginja, esta mesa foi composta pelo jornalista e director do “Notícias”, Júlio Manjate; jornalista e cineasta espanhola Lúcia Rubio; e o coordenador do Centro de Apoio à Informação e Comunicação Comunitária (CAICC), Lázaro Bamo.
“Precisamos encontrar outras dimensões do jornalismo cultural, em discussões sobre os nossos usos e costumes tradicionais como a circuncisão masculina e a prática do ‘kutchinga’, por exemplo”, sugere Júlio Manjate, depois de defender que as artes não podem ser uma zona de conforto do articulista.
O director editorial do “Notícias” entende que esta poderia ser uma das formas de evitar choques culturais a que os jovens acabam submetidos pela sua ignorância em relação a esses assuntos.
Com recurso a métodos e rigor jornalísticos, prosseguiu, a media pode ajudar a perceber esses fenómenos, contribuindo, desta forma, para a transmissão do legado histórico às novas gerações.
Da Espanha, Lúcia Rubio trouxe a experiência do trabalho que desenvolve em torno da representação dos afro-descendentes na media deste país europeu.
Conforme explicou, a forma como a comunidade negra aparece nos meios de comunicação era, até há alguns anos, repleta de estereótipos, como, por exemplo, a ilustração da figura do homem semelhante ao selvagem Tarzan (personagem de ficção criado pelo escritor norte-americano Edgar Rice Burroughs). De igual modo, referiu que as mulheres eram representadas como objectos meramente sexuais.
A jornalista contou que a construção de uma imagem redutora da raça negra na Espanha se estende à forma como se reporta África, em que as imagens exploram somente as áreas rurais, dando, desta forma, a perceber que a urbanização ainda constitui uma miragem no continente.
Por sua vez, Lázaro Bamo partilhou o que tem visto pelo país, trabalhando no CAICC, tendo sido nesse quadro que percebeu o potencial de um jornalismo cultural regional que se dedicaria a divulgar as actividades das comunidades.
Esta instituição está conectada a 135 estações de rádio comunitária em todo o país, cujo raio de audiência atinge cerca de 18 milhões de moçambicanos. Disse que essas estações e detêm um enorme potencial para divulgar novos talentos.
Reconhecendo tratar-se de um jornalismo apenas de anúncio de eventos, Bamo partilhou que as rádios comunitárias começam a ter acções inovadoras, dando exemplo dos distritos de Inharrime, onde a rádio reproduz contos tradicionais, e Massinga, em que transmite músicas gravadas nos seus próprios estúdios.
Aprofundar abordagens
Inaugurando as apresentações do painel que discutiu o tema “Conteúdos de arte na media: estética vs juízo”, a cantora e escritora Melita Matsinhe diz observar que a maior parte das notícias que passam nos órgãos de informação resulta da reprodução de comunicados de imprensa.
E questionou se essa forma de trabalhar constituiria motivo de orgulho, uma vez ser simplista e reduzir a acção do próprio artista.
Reconheceu, no entanto, que ao longo dos cinco anos da sua vida artística sempre teve cobertura jornalística.
O músico MC Roger (Rogério Dinis) falou da sua experiência na cultura, que começa como apresentador de programas musicais na TVM e na RTP África. E já como músico diz ter gravado 10 álbuns em 10 anos, tendo sido ainda um dos precursores do Dance Music.
Anota que os artistas, particularmente os músicos, estão a perder a sua identidade, que, a seu ver, se não está evidenciada no som ou na imagem, deve estar presente na mensagem veiculada. Reconheceu ter sido bem e mal tratado por certa media, assinalando ter havido jornais que tentaram “assassinar” o seu carácter, ao publicar notícias jocosas a seu respeito.
Rogério Dinis apelou, por isso, para que haja uma relação cordial e de respeito mútuo entre os jornalistas e as fontes de informação.
Já Eduardo Constantino, secretário-geral do Sindicato Nacional de Jornalistas (SNJ), defendeu a especialização dos jornalistas culturais, mesmo estando certo de que nas academias não se especializam profissionais de comunicação social, mas sim faz-se uma formação generalista, o que exige que o jornalista se capacite para melhor abordar os assuntos.
Chamou atenção para que não se imputem ao jornalista cultural responsabilidades que são de outros fóruns de abordagem, como por exemplo a crítica e o ensaio que, a seu ver, devem ser feitas por gente especializada, assumindo, porém, que a área mexe com o sentimento profundo do articulista.

quarta-feira, 21 de março de 2018

ACTUALIDADE

Linhas Aéreas de Moçambique e Fastjet vão partilhar aviões
 
As Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e a companhia privada Fastjet vão partilhar aviões para transporte de passageiros, anunciaram após a assinatura de um memorando de entendimento na terça-feira


"O memorando irá abranger diferentes parcerias como é o caso de ‘code share' (partilha de códigos de voos)", refere a LAM em comunicado.
O ‘code-share' permite que uma viagem comprada numa companhia possa ser feita partilhando um avião de outra.
A companhia estatal moçambicana regista atrasos frequentes por falta de aviões e recursos, reflexo de uma crise agravada no início do mês por dificuldades no pagamento de combustível.
A Fastjet iniciou actividade no mercado doméstico de Moçambique em Novembro, com o certificado de exploração da companhia Solenta Aviation, sua principal accionista.
O presidente da comissão executiva da LAM, António Pinto, acredita que o acordo assinado na terça-feira vai servir para "fortalecer" a companhia pública e promover o turismo, referiu, citado no comunicado.
"Esta abordagem de cooperação comercial é a primeira deste tipo no continente africano", realçou o presidente executivo da Fastjet, Nico Bezuidenhout.
"A Fastjet está empenhada em explorar e alavancar o acordo em benefício de ambas as empresas e, em última instância, do povo de Moçambique", concluiu.
O memorando prevê ainda outras formas de "acordos de exploração de rotas, optimização das sinergias nas operações de voos para destinos comuns e complementares, bem como a cooperação em outras actividades comerciais, carga, engenharia e manutenção".
Não foram revelados valores envolvidos no acordo.

CULTURA, ACTUALIDADE

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Poesia

 

 

 

Celebra-se, hoje, o Dia Mundial da Poesia, data instituída em Novembro de 2016, na XXX Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
O dia da Poesia foi criado com objectivo de promover a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação, assim como assegurar a reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas individuais.
No país, as celebrações desta data compreenderão a realização de actividades artístico-culturais a serem levadas a cabo pelas Direcções Provinciais da Cultura e Turismo, em parceria com instituições públicas e privadas, a destacar associações de índole cultural.
Assim, o Ministério da Cultura espera, nas celebrações, maior participação de estudantes, poetas, leitores, editores, livreiros, bibliotecários, de entre outros actores das artes e letras moçambicanas, de modo a garantir um debate proveitoso sobre a escrita criativa.
O Dia Mundial da Poesia é celebrado, este ano, numa altura em que realiza o X Festival Nacional da Cultura e será marcado por homenagens aos poetas nacionais, palestras, espectáculos de música e dança, exposições de livro e de disco.
O Ministério da Cultura e Turismo felicita aos fazedores das artes e cultura, no geral, e aos poetas, em particular, pela passagem do Dia Mundial da Poesia e exorta ao envolvimento de todos segmentos da sociedade nas celebrações desta data, devendo fazer da poesia um instrumento de exaltação e promoção da nossa identidade cultural e de afirmação da moçambicanidade.

terça-feira, 20 de março de 2018

ACTUALIDADE

  • Segundo Seminário de Jornalismo Cultural

    A SóArte Media em parceria com a Associação IVERCA e o Camões – Centro Cultural Português, realizam de 26 à 28 de Março do ano em curso, a Segunda Edição do Seminário de Jornalismo Cultural. Financiado pela União Europeia, Embaixada da Espanha e Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento, o Seminário de Jornalismo Cultural vai introduzir estágios profissionais para jornalistas moçambicanos no estrangeiro, concretamente para RTP em Lisboa, Portugal.
    Serão painelistas da presente edição do evento: Jeremias Langa, MC Roger, Melita Matsinhe, Severino Ngoenha, Paulina Chiziane, Júlio Manjate, Rogério Sitoe, Francisco Manjate, Inocêncio Albino, Alda Costa, Pompilío Gemuce, José dos Remédios, Paulo Chibanga, Moreira Chonguiça, G2, Mia Couto, Amosse Macamo, Milton Machel.
    Pela primeira vez o seminário contará com presença de jornalistas estrangeiras, nomeadamente: Lucía Rubio (Espanhola) e Teresa Nicolau (Portugal). Ainda de Portugal temos o prazer de anunciar a pesquisadora e cineaste Catarina Simão.
    Na sua programação, o Seminário de Jornalismo Cultural, procura juntar actores culturais de Moçambique que abordam temas ligados às relações das linguagens artísticas com o jornalismo, património, tecnologias de informação e comunicação, e contempla formação de jornalistas, artistas, sociedade civil nas províncias de Nampula, Sofala e Maputo sobre o uso das plataformas digitais.
    A ideia é influenciar, através do seminário, à produção de conteúdos jornalísticos sobre cultura e artes mais consistentes e que estimulem mudanças positivas. Por outro lado, pretendemos influenciar a criação de mais espaços na media para assuntos ligado a cultura. Ao nosso ver o jornalismo cultural é objecto privilegiado para análise das mudanças pelas quais passa a sociedade, a cultura e, por extensão, os próprios meios de comunicação de massa.
    Segunda a quarta feira, das 14h25 às 17h00

    Onde

    Camões - Centro Cultural Português em Maputo
    Avenida Julius Nyerere, 720 - 1º Andar; Maputo
    Moçambique

quarta-feira, 7 de março de 2018

ACTUALIDADE

INAM prevê calor intenso para Maputo e Gaza

 

O Instituto Nacional de Meteorologia (INAM) prevê a ocorrência de calor intenso, com temperaturas entre 37 e 39 graus celsius durante o dia de amanhã, para Maputo e Gaza. Os distritos visados são: Matutuíne, Boane, Namaacha, Marracuene, Moamba, Magude, Manhiça e cidades de Maputo e Matola. Em Gaza, as altas temperaturas poderão abranger, principalmente, os distritos de Massingir, Chicualacuala, Chigubo, Mabalane, Guijá e cidades de Chókwé e Xai-Xai.
Além de calor intenso, o INAM prevê mudança do estado do tempo caracterizada por ocorrência de aguaceiros, acompanhados de trovoadas e ventos com rajadas, a partir do final do dia.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Actualidade

Afonso Dhlakama: É preciso corrigir “irregularidades fortes” nas eleições em Moçambique

 

 O presidente da Resistência Nacional Moçambicana (Renamo), Afonso Dhlakama, disse hoje em entrevista à Lusa que é necessário corrigir "irregularidades fortes" por parte do Secretariado Técnico da Administração Eleitoral (STAE), sob pena de porem em causa o processo de paz no país

 

 

"Há irregularidades fortes que têm de ser combatidas, porque, se continuarem assim, o esforço que estamos a fazer de reconciliação pode não resultar em nada para o povo", referiu.
Dhlakama falava ao fazer uma avaliação da eleição municipal intercalar de Nampula, realizada em Janeiro e que terá uma segunda volta entre os candidatos da Renamo e da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), considerando que as falhas detectadas reflectem um mal nacional de partidarização dos órgãos de gestão eleitoral pela Frelimo.
A análise é feita a oito meses de se iniciar um novo ciclo eleitoral, com as autárquicas agendadas para 10 de Outubro e eleições gerais a decorrerem em 2019 - sendo que o recenseamento eleitoral deverá arrancar daqui a três semanas, a 01 de Março.
O líder da Renamo defende que o STAE se subordine à Comissão Nacional de Eleições, ao invés de trabalhar isolado.
"O problema é que temos dois órgãos independentes" e enquanto a Renamo está representada na CNE, no STAE só entra "no tempo eleitoral".
Os outros membros do órgão "ficam cinco anos sozinhos a cozinhar fraude e tudo aquilo" a que Dhlakama chama de "confusão", que diz ter sido visível na eleição em Nampula - em linha com as críticas tecidas por organizações da sociedade civil, nomeadamente quanto às falhas nos cadernos eleitorais.
O líder da Renamo disse à Lusa que o partido vai exigir que o STAE, a todos os níveis hierárquicos (central, provincial, distrital e de cidade) seja um corpo de "elementos técnicos recebendo ordens e subordinando-se" à CNE, para assim ser possível "controlar a situação".
Dhlakama queixa-se do facto de, em Nampula, ter havido residentes que "perderam os cartões" de eleitor, porque eram os mesmos de 2014 "e as pessoas pensam que em cada eleição é preciso receber um novo cartão" - mas para a eleição intercalar não houve recenseamento.
"Muita gente já não tinha o cartão" e não foi facilitada a votação a quem, em alternativa, se identificava com o bilhete de identidade, como prevê a lei, referiu.
Noutros casos, houve "nomes trocados de propósito" nos cadernos, no que classifica como um conjunto de problemas detectados, sobretudo em bairros que costumam apoiar a Renamo, disse.
"Foi isto que aconteceu em Nampula" e que impediu que o principal partido da oposição vencesse na primeira volta, considerou Dhlakama, que quer ver os cadernos corrigidos para a segunda ronda - cuja data está ainda por anunciar.
O líder da Renamo quer também ver o partido a ter um papel activo na fiscalização do próximo recenseamento eleitoral.

Actualidade

Polícia moçambicana lança campanha contra linchamentos

 O comandante-geral da Polícia moçambicana, Bernardino Rafael, lançou, na terça-feira, uma campanha nacional contra os linchamentos na cidade da Beira, província de Sofala, centro de Moçambique.

 

 Esta é uma campanha conjunta: polícia e comunidade. Temos de lutar contra a justiça pelas próprias mãos", declarou Bernardino Rafael, falando à população na cidade da Beira.

"Dados divulgados na ocasião indicam que, só na cidade da beira, 23 pessoas morreram vítimas de linchamento no ano passado.
Para o comandante-geral da polícia moçambicana, a luta contra os linchamentos em Moçambique deve ser assumida por todos.
"Pedimos que confiem na vossa polícia, porque ela é 100% moçambicana", acrescentou Bernardino Rafael.
O último caso registado deu-se no domingo na cidade da Beira, onde um suposto ladrão morreu vítima de linchamento por populares do bairro de Degue.
Durante 2016, Moçambique registou, em média, dois linchamentos por semana, que provocaram 27 mortes, de acordo com dados da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Economia

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