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quinta-feira, 2 de agosto de 2018

CULTURA


 


Tributo à Zaida e Carlos Chongo



Tânia e Nelson Chongo, filhos de Zaida e Carlos Chongo, têm a uma missão que pode parecer (im) possível: organizar um tributo aos seus pais. É de bom senso dizer que parte da música popular produzida, hoje em dia, a nível nacional, tem grandes marcas de Zaida e Carlos. Aliás, alguns músicos experimentaram os palcos através desses dois músicos. Tânia e Nelson Chongo continuam a carreira dos pais cantando e dançando, mas dessa vez querem homenagear-lhes por tudo que fizeram por eles, como pais, e pela cultura nacional, como músicos.
O que pretendem com a homenagem que estão a idealizar?
O nosso objectivo é celebrar a vida e obra desse grande casal e reconhecer os seus feitos como filhos e fãs. Gostaríamos de criar um espaço em que convidássemos vários artistas, personalidades e público em geral para revivermos esse casal. Passam-se 14 da morte de Zaida e 13 anos de Carlos e queremos que o povo não se esqueça desse casal glorioso, que fez muitas histórias dentro e fora do país. Enfim, pretendemos eternizar a sua obra colectiva.
É um tributo ainda em idealização. Já possuem patrocinadores?
Estamos, neste momento, à espera de respostas das instituições aonde metemos cartas de pedido de apoio.
Eu e meu irmão temos esperança de que teremos respostas positivas e de certeza que pessoas de boa-fé ajudarão. Até então, ainda estamos à espera de patrocinadores. Queremos realizar o tributo entre Agosto e Setembro e até lá temos muita esperança que consigamos angariar patrocinadores.
Acha que o país reconhece, actualmente, a obra de Zaida e Carlos?
Sim e o reconhecimento é visível. O povo reconhece a boa deles, sim. Eles foram feitos grandes figuras pelo povo e o mesmo povo tem o dever de reconhecer a sua obra. Em muitas festas e eventos sociais tem se tocado as suas músicas, até em discotecas já se toca a música do casal.
Há coisas inéditas que o casal deixou?
Há muita coisa que o casal passou e que o povo ainda não sabe. Nós como filhos estamos a desenhar um projecto para eternizar a vida desse casal através de um livro biográfico livro que relate o percurso do casal, do início até ao auge. Fazer saber ao público sobre a caminhada desse casal. Eles não tiveram só momentos de glória, por algum momento pensaram em desistir da carreira musical, porque não era fácil. O intuito é passar a história aos mais novos para nunca desistirem perante dificuldades.
O que representa para si, como filha, o legado desse casal?
Eles representam tudo para mim. Se hoje estou formada é graças a eles. Não me lembro dos meus pais com lágrimas, mas sim com sorrisos, porque eles deixaram essa alegria que tinham. Devo dizer que eles constituem a minha fonte de inspiração e eu considero-me a fã número um deles. Foram pais que sempre transmitiram a todos de casa uma energia positiva.
Os antigos colegas de Zaida e Carlos têm-vos acarinhado? E as instituições públicas?
Os artistas acarinham-nos muito; chamam-nos de sobrinhos a mim e a meu irmão. Temos boas relações com vários artistas e muito deles reconhecem o que o meu pai fez por eles. O Governo reconheceu, mas não posso dizer que é um reconhecimento grande. Atribuiu uma avenida o nome da minha mãe, Zaida Chongo, mas isso não é suficiente, é preciso que o Governo olhe a todos os artistas com atenção não só a Zaida e Carlos, mas a todos os artistas que fizeram algo pelo país.

 


quarta-feira, 18 de abril de 2018

CULTURA

Casa Provincial da Cultura de Inhambane poderá beneficiar de reabilitação




A Casa Provincial da Cultura de Inhambane encontra-se num avançado estado de degradação. Com o ciclone Dineo de 2017, a situação veio a agravar-se ainda mais, tendo deitado abaixo o tecto do salão principal, onde aconteciam as actuações artísticas.
A actual imagem que a casa apresenta poderá num futuro breve apresentar uma nova roupagem, graças ao memorando de cooperação assinado esta sexta-feira, entre o titular da cultura e turismo e a organização Matapa Music and Arts, sediada no Canadá.
O representante legal da organização já garante o arranque das obras de reabilitação da casa da Cultura.
Sem avançar custos monetários, a Matapa Music and Arts compromete-se também a alocar seus técnicos para a formação de quadros da Cultura e Turismo, bem como a formação de artistas e grupos culturais, de modo a internacionalizar as diversas práticas locais e do país, em geral.

segunda-feira, 9 de abril de 2018

CULTURA

Stewart Sukuma leva SOMAS ao tribunal


comissão eleitoral da Assembleia-Geral da Associação Moçambicana de Autores foi levada ao tribunal por alegadas irregularidades no processo que visa eleição dos novos órgãos directivos. Em causa está  uma providência cautelar de suspensão da Assembleia-Geral da Associação Moçambicana de Autores (SOMAS) que tinha sido agendada para os dias 28 e 29 de Março passado, que tinha entre outros pontos, a eleição do novo corpo directivo.
Trata-se de uma decisão imposta à direcção da SOMAS pelo tribunal do distrito Municipal Kampfumo, em resposta a uma acção movida pelo candidato Luís Manuel Francisco Pereira mais conhecido por Stewart Sukuma, por alegadas irregularidades graves do processo. Na quarta-feira, o tribunal convocou as partes; o candidato Stewart Sukuma e a comissão eleitoral para dar início aos trabalhos de apuramento dos factos referidos no processo.
Entretanto, a sessão foi adiada a pedido da direcção da SOMAS segundo revelou, hoje, o advogado de Stewart Sukuma à nossa equipa de reportagem.
Refira-se que concorrem para ao cargo de secretário-geral da SOMAS, além de Stewart Sukuma, também o músico José Manuel Luís (Jomalu) e o actor Nelson Maquile num processo que tem estado a gerar vários conflitos por supostamente estar em manga uma tentativa de fraude eleitoral. A Sociedade Moçambicana de Autores (SOMAS) é actualmente dirigida por Domingos Carlos Pedro (Domi Chirongo), na qualidade secretário-geral.

quarta-feira, 21 de março de 2018

CULTURA, ACTUALIDADE

Celebra-se hoje o Dia Mundial da Poesia

 

 

 

Celebra-se, hoje, o Dia Mundial da Poesia, data instituída em Novembro de 2016, na XXX Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO).
O dia da Poesia foi criado com objectivo de promover a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação, assim como assegurar a reflexão sobre o poder da linguagem e do desenvolvimento das habilidades criativas individuais.
No país, as celebrações desta data compreenderão a realização de actividades artístico-culturais a serem levadas a cabo pelas Direcções Provinciais da Cultura e Turismo, em parceria com instituições públicas e privadas, a destacar associações de índole cultural.
Assim, o Ministério da Cultura espera, nas celebrações, maior participação de estudantes, poetas, leitores, editores, livreiros, bibliotecários, de entre outros actores das artes e letras moçambicanas, de modo a garantir um debate proveitoso sobre a escrita criativa.
O Dia Mundial da Poesia é celebrado, este ano, numa altura em que realiza o X Festival Nacional da Cultura e será marcado por homenagens aos poetas nacionais, palestras, espectáculos de música e dança, exposições de livro e de disco.
O Ministério da Cultura e Turismo felicita aos fazedores das artes e cultura, no geral, e aos poetas, em particular, pela passagem do Dia Mundial da Poesia e exorta ao envolvimento de todos segmentos da sociedade nas celebrações desta data, devendo fazer da poesia um instrumento de exaltação e promoção da nossa identidade cultural e de afirmação da moçambicanidade.

segunda-feira, 5 de março de 2018

CULTURA

Adelino Timóteo percorre os labirintos da História com Uria Simango

 

 

 

É o 15º livro de Adelino Timóteo. Depois de tanto navegar pela prosa e pela poesia, desta vez, o escritor resolveu seguir um caminho diferente do habitual: o percurso da História, a qual é feita de várias estórias. Assim, como culminar de um trabalho de pesquisa aturado, Timóteo prepara-se para lançar o seu mais recente livro, intitulado Os últimos dias de Uria Simango. A cerimónia de lançamento está marcada para o Novo Cine, na Beira, e vai arrancar às 16:30h.
Os últimos dias de Uria Simango é um ensaio biográfico em que o escritor se centra na trajectória de vida social e política de Uria Simango, desde os seus primórdios até ao seu exílio no Zimbabwe, a sua integração na UDENAMO e o seu envolvimento na fundação da FRELIMO, sem deixar de lado as desavenças no movimento de libertação que culminaram com o seu fim.
Conforme conta o autor, a pesquisa permitiu-lhe reconstituir a trajectória de Uria Simango e, ao mesmo tempo, estruturar todo o seu perfil. Graças a esse procedimento, Timóteo deitou abaixo todas as conotações e carga negativa à volta de Simango. “Pude perceber, ao longo da minha pesquisa, que Uria foi vítima de uma cabala, de uma trama. Em condições normais, uma pessoa com aquele perfil nacionalista jamais mereceria a morte que encontrou”, afirmou o escritor que acaba de abandonar as baixas temperaturas na Europa para vir lançar a sua obra na terra natal.
Um facto curioso. Antes de Adelino Timóteo resolver escrever sobre Uria Simango, primeiro quis retratar em livro a vida do seu pai. Numa dessas ocasiões em que esteve em Lisboa (Portugal), o escritor procurou nos arquivos da PIDE algo que lhe revelasse em que medida o seu progenitor esteve envolvido na luta armada. “A mim também me mataram o pai. Então, quando me vi em Lisboa, quis perceber as razões que levaram à morte do meu pai. “Chegado aos arquivos da PIDE, encontrei uma fotografia do meu pai, mas, em termos de informação, fui confrontado com muita matéria sobre Uria. Assim, compilei toda a informação que encontrei”. Adiando a pretensão de escrever sobre o pai, Adelino Timóteo começou a seguir, entre várias fontes, despachos da PIDE que faziam referência quase diária do que acontecia dentro da FRELIMO. Aí os escritor conheceu as várias faces de Uria Simango: nacionalista, diplomata, religioso e combatente. “Capitalizei isso tudo dentro dos despachos. Uria tinha muitos pseudónimos, como Uria Simanta, Simangão, John Goddy, e era uma figura interessante que encontrava vários meios para ludibriar a PIDE, que o policiava 24h por dia”.
A ideia de escrever sobre o pai, morto há mais de quarenta anos, era a de eternizar a sua história. “Sou escritor, mas nem sempre devo escrever sobre ficção. Tenho também de dar aso às minhas inquietações. Com isso, julgo que o livro pode interessar a vários moçambicanos, estudantes e sociedade em geral. De facto, há muita coisa em comum entre Uria Simango e meu pai. Ambos foram mortos por uma causa política, mas nunca explicadas. Eles foram sumariamente executados num estado independente”, afirmou Adelino Timóteo.
O novo livro de Adelino Timóteo tem 200 páginas, e foi escrito entre 2012 e 2014, em Portugal.
Esta primeira publicação de Os últimos dias de Uria Simango sai sob a edição do autor, mesmo porque, de acordo com Adelino Timóteo, toda a gente a quem manifestava o interesse de lançar o livro virava-lhe as costas. “Ainda há muito receio de se falar de Uria Simango, e muita censura. “Mas eu não tenho medo, acho que tenho um compromisso social. Sou moçambicano e muito empenhado. Amo Moçambique e amo os homens. Há necessidade de pacificar, porque muitas pessoas, inclusive as que estão envolvidas em assassínios, não estão bem com elas mesmas”.
Nesta obra, Adelino Timóteo gostava que o leitor encontrasse uma certa pulsação de sentimentos, que o tornou bastante sensível, relacionada com a injustiça de um homem contra outro homem, porque nenhum ser humano tem direito de tirar a vida do outro. “Como diz Gabriel Garcia Márquez, um homem não deve olhar a outro para o rebaixar, mas sim para o ajudar”.
Para o autor, esta é uma obra de escrita difícil, pois teve de ler vários livros sobre Uria, de modo a cruzar informação, inclusive, da CIA e Interpol, no sentido de iluminar algumas zonas de penumbra. “Na ficção há mais liberdade. Aqui não tive a liberdade de dizer o que me aprova, tudo estava condicionado pela informação documental. Fui muito aos arquivos dos jornais desde os anos 60. Foi um trabalho muito minucioso. Poderia ser fácil se as fontes orais colaborassem, mas elas franquearam-me as portas porque têm o receio de sofrer um ajuste de contas”.

domingo, 11 de fevereiro de 2018

Cultura

Ungulani Ba Ka Khosa publica dois livros sobre Ngungunhane

 

 

O renomado escritor moçambicano, Ungulani Ba Ka Khosa, vai lançar, no âmbito dos seus trinta anos de estrada, o livro "Gungunhane". A obra, dedicada ao reinado de Ngungunhane, imperador do Reino de Gaza ao longo da segunda metade do século XIX,  reúne dois livros, nomeadamente “Ualalapi” e o romance “As Mulheres de Ngungunhane”
Neste romance, “procura-se recuperar uma parcela da história de Moçambique: o reinado de Ngungunhane e concretamente o declínio e queda do Império de Gaza, materializado na captura e partida do imperador para Portugal, cenas com as quais encerra a narrativa.
A valorização da tradição e a fundamentação do tratamento historiográfico da figura de Ngungunhane, a partir dos dados da oralidade, interliga-se estruturalmente com a presença, explícita nuns casos e implícita noutros, de modelos literários ocidentais”.
A obra será lançada esta quarta-feira na Minerva Central, em Maputo. A apresentação estará a cargo do escritor Marcelo Panguana

Economia

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