quarta-feira, 27 de junho de 2018
terça-feira, 5 de junho de 2018
SOCIEDADE
Munícipes de Maxixe satisfeitos com desenvolvimento de infra-estruturas

Para mitigar o problema de acumulação de águas pluviais no município de Maxixe, a edilidade está a pavimentar as ruas e fazer intervenção nas regiões mais criticas de estagnação das águas.
Para minimizar o problema de falta de água no bairro de expansão, o município está a proceder o transporte da conduta de água para aquele bairro.
Os munícipes de Maxixe estão satisfeitos com as intervenções feitas pelo município, para o desenvolvimento das infra-estruturas naquela cidade.
Os munícipes de Maxixe estão satisfeitos com as intervenções feitas pelo município, para o desenvolvimento das infra-estruturas naquela cidade.
O vereador municipal de Urbanização, Ordenamento Territorial e Infra-estruturas, Adriano Macuácua, revelou que, para o sector de estradas estão a ser investidos cerca de setenta milhões de meticais, numa extensão de pouco mais de cinco quilómetros, para além de outros desafios.
Com estas intervenções, os munícipes da Maxixe, capital econômica de Inhambane, não descartam a hipótese deste ser um dos municípios que mais investiu em obras públicas, a nível da província
SOCIEDADE, INHAMBANE
Irlanda doa 200 equipamentos antropométricos em Inhambane

Para melhorar a vida das crianças na província de Inhambane, o Governo da Irlanda através da Agência de Desenvolvimento Internacional (Irish Aid), vai financiar a implementação da componente Nutrição de Emergência. A Irish Aid irá proceder a doação de 200 equipamentos antropométricos à Direção Provincial de Saúde de Inhambane, para ajudar a monitorar o estado nutricional das crianças em Inhambane.
O representante da UNICEF em Moçambique, Marcoluigi Corsi, diz que esses recursos vão permitir desenvolver modelos custo-benefício para coordenar e monitorar os casos severos e moderados de desnutrição aguda.
“As crianças nas zonas afectadas precisam deste investimento, que irá contribuir para a melhoria na sua sobrevivência e desenvolvimento, e torna-se ainda mais importante neste momento de recuperação do impacto do fenómeno El Niño que afectou consideráveis distritos da Província de Inhambane” acrescentou Corsi.
A antropometria consiste no estudo das dimensões lineares, medidas corporais, cujo método é aplicável em todas as fases do curso da vida e permite a classificação adequada a cada uma delas.
A aquisição e manutenção de equipamentos antropométricos são fundamentais para o combate e prevenção da desnutrição em Moçambique, visto que uma balança avariada ou um antropómetro impreciso desqualifica qualquer método antropométrico
SOCIEDADE
Munícipes de Inhambane exigem promessas feitas durante a campanha

Moradores do bairro Muele -3, no município de Inhambane, sentem-se isolados devido o incumprimento da edilidade, para a electrificação daquele bairro.
Um dos motivos que causa indignação aos moradores é o projecto da construção de matadouro, em aparente estado de abandono e que já passam mais de três anos.
Face a estas reclamações, o edil de Inhambane, Benedito Guimino, reagiu da seguinte maneira. “Já estamos a montar os postes e assinamos um memorando com a Electricidade de Moçambique no valor de dois milhões de meticais, para aquisição de postes”.
Quanto a situação do matadouro Guimino disse que este tem que ser transferido por se encontrar numa zona propensa a inundações.
“Identificamos outro espaço e já foi desenhado o projecto para construção de um novo matadouro”, disse Guimino
sexta-feira, 1 de junho de 2018
SOCIEDADE
Governo de Inhambane agastado com ONGs inoperantes

São no total trinta e oito Organizações não-governamentais entre nacionais e estrangeiras, que operam na província de Inhambane. Destas, algumas são apontadas pelo governo da província como sendo inoperacionais. O dado foi tornado público esta terça-feira, na primeira reunião de avaliação e planificação das actividades, que juntou membros do Governo, ONGs e parceiros de cooperação. Para o governador desta província, muitos dos relatórios que tem sido apresentados pelas organizações são no seu entender, divulgações de estudos de viabilidades infindáveis.
A título de exemplo de organizações que, nada de prática tem feito, o governante falou de dois projectos que envolvem dez milhões de dólares, através do Governo Alemão e lá já vão mais de quatro anos, desde a sua concepção e que ainda se encontram em estudo de viabilidade, mas prazo está prestes a terminar.
Apesar deste descontentamento, o governador de Inhambane reconheceu algumas das ONGs, que tem envidado esforços e que trabalham incansavelmente para ajudar no desenvolvimento da província. Destas, destaque vai para as que operam nas áreas da saúde e educação.
“Na verdade, há tantas ONGs que operam na província e fazem coisas que ajudam de certa forma as nossas comunidades para o crescimento sócio-económico das mesmas em particular e do país e geral, mas existem algumas que nada de tangível tem feito. São relatórios, estudos de viabilidade que nunca acabam. Temos a PRODIA 1, que iniciou em 2014 com a o prazo de 5 anos até 2019 e até aqui nada feito ainda, alegadamente porque ainda estão na planificação e no estudo de viabilidade” disse o governante.
Ainda assim a organização em causa está com o outro projecto denominado PRODIA 2 cujo prazo está previsto para 2020, ou seja, o projecto deveria ter arrancado em 2015 mas que até ao presente momento nada está feito.
Os projectos em causa visavam a construção de infra-estruturas nos diversos municípios, onde actuam.
Por seu turno, a ONG em causa diz que a morosidade na execução dos projectos deve-se ao elevado tempo que se dedica ao estudo de viabilidade e consultorias.
“Os consultores e estudos de viabilidade levaram cerca de um ano e meio para a conclusão e daí que, poderemos, certamente próximo ano, arrancar com o projecto da PRODIA 1 e em 2020 vamos colocar em prática os projectos da PRODIA 2” garantiu Susanna Godehart da cooperação Alemã, que salientou ter feito muito nas comunidades onde estão inseridos, contudo concordam com o posicionamento do governo.
Entretanto, a Plan Internacional, em representação do fórum da educação, por sinal um dos sectores com mais actividades executadas considera como ponto fraco, a falta de planificação entre as ONGs.
“Nós estamos a caminhar a bom termo porque temo-nos encontrado e desenhamos o “modus operandi” ou seja, planificamos as actividades junto com o governo através do sector da saúde e educação, portanto, o que faz com que as ONGs não realizem suas actividades é a falta de coordenação das actividades entre as partes, porque o que se tem verificado é que algumas das ONGs trabalham de uma forma isolada, como se estivessem numa ilha” realçou Elisa Langa, em representação das organizações que operam na no fórum da educação.
Estiveram também na primeira reunião do Governo com as ONGs, líderes comunitários em representação de suas comunidades, onde as organizações operam
quarta-feira, 23 de maio de 2018
POLÍTICA
Inhambane registou 99,71% dos eleitores

A Comissão Provincial de Eleições, delegação de Inhambane, diz que, dos 322.264 potenciais eleitores previsto para recensear, apenas 321.336 foram inscritos, com uma diferença de 928 eleitores, representando 99,71 por cento. Muitos foram os factores que estiveram na origem do não alcance da meta, com o destaque para a ausência de fiscais dos partidos políticos.
Apesar deste resultado, as autoridades dão-se por satisfeitas.
Os distritos municipais da Massinga e Vilanculos foram os que mais eleitores registaram acima da meta, com 108 e 133 por cento, respectivamente
terça-feira, 22 de maio de 2018
SOCIEDADE
O Governo em parceria com a Doctors For Life, uma organização cristã de ajuda humanitária, que opera desde 1992, com sede na África do Sul, realiza, em Inhambane, uma campanha de operação gratuita a mais de 200 pessoas com catarata. A cirurgia será realizada no Hospital Provincial local.
A organização perspectiva estender sua actuação para o resto do país, com enfoque para os locais de maiores índices.
Com este gesto, a direcção do Hospital Provincial considera que a parceria veio impulsionar a capacidade de resposta daquele serviço devido à falta de pessoal especializado na matéria.
A província de Inhambane possui apenas um oftalmologista, três optometristas e seis técnicos de oftalmologia
CURIOSIDADES
10 Coisas estranhas da gravidez que a mulher não comenta

Gerar vida dentro do ventre da mulher é algo incrível. Para muitas mulheres a gravidez é na verdade uma das melhores coisas do mundo.
A mulher grávida tem a possibilidade de acompanhar diariamente o desenvolvimento do bebé e se emocionar a cada fase que passa. Mas, durante a gestação, existem as partes chatas, como enjôos, náuseas, pés inchados e outros.
Conheça o lado estranho da gravidez que as mulheres geralmente não comentam.
1. Que tem o olfacto e o paladar incrível

Durante a gravidez, o olfacto da mulher aumenta drasticamente, bem como o paladar. As mulheres grávidas tornam-se altamente sensíveis a odores fortes e sabores amargos. Algumas mulheres grávidas podem se tornar excessivamente sensíveis a uma fragrância de perfume ou cheiro de loção para o corpo, enquanto outras podem não ser capazes de tolerar um forte cheiro de um alimento em particular. Por outro lado algumas mulheres queixam-se dum sabor amargo na boca depois de consumir qualquer alimento ou líquido, outras podem ter uma sensação peculiar na boca mesmo quando não estão comendo nada. Acredita-se que olfacto, bem como o paladar ajudam as mulheres grávidas a evitarem o consumo de pequenos níveis de toxinas, não perigosas para um individuo adulto, mas mortais para o feto.
2. Que gravidez pode até durar um ano inteiro

Uma boa parte das mulheres tem tido uma gestão de cerca de 38-40 semanas. Quando a gravidez dura mais tempo, os médicos podem induzir o parto da mulher. Porém é possível uma mulher ficar grávida durante um ano inteiro. Conhecida como gestação prolongada pois ultrapassa 41 semanas – é a insuficiência placentária (placeta envelhecida) que reduz o aporte de nutrientes e oxigénio para o feto o que pode acarretar aumento de morbidade e mortalidade perinatal.
3. Que a mulher não precisa comer por dois

A mulher grávida não precisa realmente comer por dois, salvo em casos em que há ordens médicas específicas. Durante a gravidez, o corpo torna-se mais eficiente na absorção de nutrientes, por isso ao dobrar a quantidade de comida, a mulher não estará a aumentar as chances de ter um bebé saudável, mas sim em ganhar peso excessivo. Lembre-se que as necessidades calóricas da mulher grávida aumentam apenas cerca de 300 kcal por dia, mais precisamente, 100 kcal no primeiro trimestre e 300 kcal no segundo e terceiro trimestres.
4. Que o uso sutiã para dormir é indispensável

Durante a gravidez os seios da mulher alcançam seu desenvolvimento máximo, ficam maiores e dolorosos. O uso do sutiã na hora de dormir acaba sendo indispensável, pois as mamas estão super sensíveis à actuação dos hormônios. Como na gravidez, o peso tende a aumentar, a recomendação médica é usar até mesmo para dormir.
5. Que o feto masculino pode ter erecção dentro do útero

É inacreditável, mas o feto do sexo masculino pode ter erecção enquanto está no útero da mãe. Alguns cientistas afirmam que os bebés de ambos os sexos se masturbam no útero, mas meninos são os únicos que podem ser ‘flagrados no acto’ na ecografia ou até aparelhos de alta resolução podem mostrar esses detalhes
6. Que o pé pode aumentar de tamanho

A gravidez pode alterar permanentemente o tamanho dos pés das mulheres. Conhecida como pé chato, este problema é bastante comum na gravidez, por conta do peso extra e da maior frouxidão das articulações associadas aos hormônios. O pé pode tornar-se mais comprido e mais largo. Isso acontece porque cada vez que a gravidez avança, o corpo começa a liberar a tensão dos seus ligamentos para ajudar com o processo do parto.
7. Que a vagina pode precisar de alguns pontos

O corte vaginal que a mulher sofre durante o parto, é também conhecido como episiotomia, que é um corte cirúrgico feito no períneo (região entre a vagina e o ânus) formada por músculos. Esse processo ocorre durante o parto normal para facilitar a passagem/ saída do bebé. Após o rasgo ou laceração no períneo no momento do parto, a cicatrização costuma ocorrer sem dificuldades. Alguns rasgos só exigem um pouco de cuidado ou alguns pontos, mas os casos realmente maus vão da vagina ao ânus. Massagear a área antes do nascimento da criança pode reduzir a chance de rasgo vaginal.
8. Que as contracções não param com o nascimento

Um número considerado de mães tem contracções até os primeiros dias após o nascimento de seus filhos. As cãibras musculares são a maneira do corpo parar a perda de sangue em excesso. Porém, se você dá à luz no hospital, pode estar ainda muito drogada e provavelmente mal vai perceber o fato.
9. Que a mulher pode evacuar durante o parto

Durante o parto, a mulher pode evacuar, pois quando a cabeça do bebé passa pelo canal de parto pode comprimir o reto, parte do intestino que fica logo atrás do útero e da vagina. Quando o bebé está passando, ele empurra toda essa região. É por isso que enquanto a cabeça passa, a mulher se sente fazendo cocô. Um dos sintomas que as mulheres tem durante o trabalho de parto é a vontade de ir ao banheiro, acontecimento que, pode evitar a evacuação no nascimento ou reduzir a quantidade de fezes expelido. Isso acontece muito, mas os médicos já estão acostumados a limpar, se for necessário. Esse acto é completamente natural e muitas ou algumas mulheres passarão por essa situação.
10. Que o pai pode ter sintomas de gravidez

Alguns homens podem ficar psicologicamente grávidos. Os homens ficam muito preocupados com a saúde da mulher e do bebé, e apesar de não demonstrarem da maneira igual, também podem apresentar ansiedade, insegurança e até medo. A condição é conhecida como síndrome “couver” significa “chocar”. Ela designa um conjunto de sintomas involuntários associados à gestação, que não têm nenhuma causa física aparente, e que aparecem em alguns homens que vão ser pais. Alguns sintomas da síndrome são vómitos, tonturas, dores abdominais e dentárias, mudança de apetite, fadiga, insónia, problemas intestinais, alteração de peso, entre outros.
quinta-feira, 10 de maio de 2018
SOCIEDADE, INHAMBANE
Seis agentes da PRM expulsos por corrupção

comandante da Polícia da República de Moçambique (PRM) em Inhambane, Joaquim Nido, disse que, do ano passado até o primeiro trimestre deste ano, seis agentes da polícia foram expulsos e outros 25 incorrem a processos disciplinares por prática de corrupção. O anúncio foi feito durante a cerimónia de entrega do posto policial à comunidade de Guitambatuno, arredores de Inhambane.
Na ocasião, o comandante pediu a colaboração da população, na denúncia de quaisquer actos que atente contra a ordem, segurança e tranquilidade públicas.
Por sua vez, a população presente no acto criticou a falta de meios que se tem observado no seio da polícia, o que no seu entender, contribui para a fraca vigilância dos agentes nos bairros, para abortar actos criminais.
Face a estas inquietações, a polícia diz estar a mobilizar recursos para alocar meios circulantes que permitam maior mobilidade dos agentes da Lei e Ordem, nas comunidades
ACTUALIDADE
Elogio a Aníbal Aleluia
Aníbal Aleluia: «Da parte paterna, só conheço a genealogia até ao meu bisavô, precisamente Aníbal Aleluia, vindo, segundo me contaram os meus ascendentes, “muito de fora”. Meu avô, Henrique Aníbal Aleluia, e meu pai, Roberto, Roberto, eram naturais de Séui (Inhambane, cidade). Eu nasci na Península de Linga-Linga. Desde o meu bisavô, eu é que quebrei a tradição de construtores barcais.»
Henrique Aníbal Aleluia descrevia-me, assim, a sua ascendência. Nascera em Agosto de 1921. Estávamos em Agosto de 1990. Da parte materna registava que a família remontava ao século XVI. Registei esse diálogo para um livro de entrevistas: Os Habitantes da Memória. Naquele dia, como em outras diversas ocasiões em que me atardei a ouvi-lo e a cumpliciar com ele, senti que o tempo que vivera – atravessara dolorosamente o período colonial – deixara marcas vivas e fortes. Também percebi que estava diante de um homem que soubera perseverar. Um homem obstinado. Tinha uma bondade extraordinária. Tinha uma respeitável e caudalosa cultura.
Leitor compulsivo, chegara a ler dez romances por mês quando frequentava a Escola de Professores. Observador atentíssimo da realidade. Os seus escritos nasceriam desse olhar avisado (“os meus contos nascem da observação de factos do quotidiano, um gesto, uma palavra”). Além disso, era um nómada: “calcorreei Moçambique de tal modo que vivi no extremo norte (em Palma), em Angoche (a Leste), a Oeste (Zóbuè e em Espungabera) e aqui no Maputo, que conheço desde 1935” (Aníbal Aleluia).
Esteve para ser professor indígena (era assim que se designava!), foi enfermeiro, escreveu para jornais, foi escriturário. Palmilhou o país. Tinha um profundo conhecimento do país, eu diria até antropológico. Ainda se matriculou em Direito, contudo as adversidades da vida impediram-no de fazer o curso. Era um homem culto, uma biblioteca ambulante. Falava, com rigor, um português escorreito, culto, sem perder a sua pronúncia de Inhambane. Para além de assinar com nome próprio, Aníbal Aleluia escreveu sob diversos pseudónimos: Roberto Amado, Augusto António e Bin Adam.
Redigi, anos depois, no empolgado lead daquela remota entrevista: “Tinha eu um grande afecto pelo velho Aníbal Aleluia. Tinha igualmente um enorme respeito pela sua trajectória que foi marcada por uma corajosa persistência de um homem que sempre teimou em afirmar a sua dignidade. Era uma lição exemplar a daquele senhor que escondia na sua modéstia uma grande sabedoria porque sabia que não há Faculdade que substitua a vida.”
Não me cansava de ouvi-lo. Tinha uma história de vida exemplar: corajoso, persistente, digno. Escrevera no Itinerário e n'O Brado Africano. Chegou à ficção porque António Caetano Fernandes – uma figura do burgo lourenço-marquino – o informa de que na revista Elo havia quem “asseverasse existir um substracto orgânico que incapacitasse o negro de fazer ficção e a minha recusa é disso prova bastante.” Na época, Aleluia achava a intervenção nos jornais mais adequada ao espírito contestatário que animava a sua geração. A ficção, algo lúdico, não lhe parecia ter essa capacidade reivindicativa, era demasiado “frouxa”. A despeito, esse repto levou-o a escrever um conto. Ainda julgou ser o único. Não o foi. Entre 1955 e 1956 escreveu os contos que iriam constituir Mbelele e outros contos. Os textos permaneceram na gaveta décadas. Publicou-os à beira dos 70 anos. Publicaria ainda O Gajo e os Outros. Estão por editar Contos Avulsos e Contos do Fantástico Litoral.
Tinha um livro a caminho do prelo nos primórdios da década de 60. Retirou-o quando foi preso a 27 de Maio de 1961 pela PIDE, acusado de ser “nacionalista africano”. Diziam que “mancomunava com o Baltazar da Costa a revolta do Norte da Zambézia”, acusavam-no, delirantemente, de se encontrar com o Dr. Banda, do Malawi, atribuíam-lhe filiação ao MUD-Juvenil. Tudo invenções de “bufos do Zóbuè, na sua maioria enfermeiros.” Os contactos que ele tinha: os Democratas. Santa Rita, Soares de Melo, Ricardo Fernandes, Rainho da Silva e Bradeiro de Matos. Ele trabalhava no Foro, praticava para tirar a carta de solicitador.
Aníbal Aleluia: “Eu pertenço ao número dos que não fizeram da detenção crachá nem bandeira e muito menos gazua.”
Do vício da leitura, que lhe vinha da infância, acompanhava o que se escrevia na então emergente literatura moçambicana. Lia José Craveirinha, Noémia de Sousa, Rui Knopfli, Rui Nogar, Ruy Guerra, Fonseca Amaral, Augusto Santos Abranches. Lia Sobral Campos, Alípio Rama, António Só, Irene Gil, Glória de Sant’Anna, Augusto Conrado, Rui de Noronha. Lia sobretudo os poetas. “A prosa era monopolizada por um homem que se orgulhava de ser fascista e cuja temática colidia com os meus pontos de vista.”
Quando eu era miúdo cultivava a prática de estar com os mais velhos. Gostava de ouvir os precatados. Visitava-os, lia-os e interpelava-os. Atraía-me a memória. Sempre me fascinou a memória. O conhecimento, a experiência, a sabedoria, a sagacidade, a inteligência. Ouvir do aviso dos que nos podiam alertar. Ouvir a história, diversa daquela que estava nos compêndios. Sobretudo num contexto em que o passado era uma espécie de oráculo. Aníbal Aleluia disse-me, naquela remota conversa, que andava às voltas com um romance histórico. Isso aguçou a minha curiosidade. Qual era a ideia central do romance? – quis saber.
Aníbal Aleluia: “Que o nacionalismo (chamemos-lhe antes proto-nacionalismo) brotou no Centro e Norte, antes do Sul. Nunca vi esta tese defendida pelas oficinas de História oficiais. O berço da resistência anti-portuguesa não é Gaza, como se convencionou oficialmente por razões que me parecem tribais, mas Angoche, onde, desde o tempo de Mogossurima, no século XVIII, até ao sultanato de Farley, já no limiar deste século, os sultões cotis, de origem quiloana, opuseram o Crescente à Cruz.”
Para mim foi um dos grandes privilégios da minha vida conviver com Aníbal Aleluia. A amizade partilhada com gente da estirpe da do Aníbal Aleluia. E não estou só. O Marcelo Panguana, num livro recente, Os Peregrinos da Palavra, que recolhe velhas entrevistas, ao falar do Aleluia releva o mesmo tipo de sentimento que eu tenho ao enunciar que “tive a honra de conviver com Aníbal Aleluia”, de quem escutava “palavras sábias.”
Marcelo Panguana: “Detentor duma invejável cultura geral, de extraordinária memória e um profundo domínio da língua portuguesa, adicionados à sua coragem e frontalidade, cedo se transformou numa incontornável referência nos meios literários.”
Revejo-me nas palavras do Marcelo: “Infelizmente somos pouco dados à evocação dos nossos mortos, mesmo quando possuem a grandeza que os diferencia dos simples mortais. E penso que será esta uma das razões pelas quais não somos capazes de aumentar os níveis da nossa moçambicanidade e enriquecer a nossa auto-estima. E o que se torna mais grave é a incapacidade de indicar às novas gerações as referências nacionais que escreveram, a seu modo, a história deste país. Aníbal Aleluia quase que deixou de fazer parte da nossa memória colectiva, tal como acontece com outras figuras que se tornaram célebres. Hoje, pouco se fala do poeta Rui Nogar. Recusamo-nos a reconhecer a importância de um Estêvão Macambaco na história da pintura moçambicana. Como alguém dizia, no nosso país, quando uma figura de destaque morre, morre de vez! De resto, incapazes de homenagear os vivos, como seríamos capazes de idolatrar os mortos?”
Quando, em 1984, surgiu a Charrua, fundada por um grupo de jovens irreverentes – Eduardo White, Armando Artur, Juvenal Bucuane, Ungulani Ba Ka Khosa, Hélder Muteia, Filimone Meigos, Marcelo Panguana, entre outros – Aníbal Aleluia haveria de participar activamente naquele projecto e abraçar o seu ideário. Ali estava ele, no meio daquela juventude: escreveu e publicou imenso na Charrua. O Aníbal tinha a juventude e a irreverência da nossa geração. Atrevo-me a dizer, não obstante, o facto de ele ser oriundo de outras décadas, que Aleluia pertencia à nova geração de escritores moçambicanos. Um outro testemunho, o de Ungulani Ba Ka Khosa, num texto do livro Cartas de Inhaminga, numa fabulosa evocação geracional, na qual honra a escrita do Eduardo White, fala de Aníbal Aleluia.
Ungulani Ba Ka Khosa: “Criámos uma revista, a CHARRUA, lutámos pelos nossos ideais literários, formámos uma malta maravilhosa que estendeu os laços de solidariedade até aos dias de hoje, com respeito às idiossincrasias de cada um: Juvenal Bucuane, Pedro Chissano, Aldino Muianga, Marcelo Panguana, Armando Artur, Hélder Muteia, Filimone Meigos, Tomás Vieira Mário, Ídasse Tembe, Nelson Saúte, Pinto de Abreu, o falecido Aníbal Aleluia, o também falecido amigo Ciprian Kwilimbe, e outros. Foi um período fecundo. A poesia, o lugar dos deuses no nosso panteão. E não foi por acaso que a colecção por nós criada na Associação dos Escritores Moçambicanos, a Colecção Início, teve como obra iniciática o Amar sobre o Índico, do Eduardo White. Em White, como dizíamos, nesses tempos de iniciação, estava o vulcão em permanente actividade. Dele são os versos: E hei-de ser o veneno/ o infame selvagem/ o duro seio das rochas/ e moldar no barro a pele que me acolhe.”
Ba Ka Khosa refere-se a factos de 1984. O Aldino Muianga era o mais velho entre nós e tinha 34 anos. O Juvenal Bucuane e o Marcelo Panguana tinham ambos 33 anos. O Pedro Chissano tinha 28 anos. O Ungulani, 27 anos. O Tomás Vieira Mºario estava com 25 anos, o Filimone 24, o Muteia 24, o Armando, 22, o White 21, o Pinto de Abreu 19 e eu, 17. Estávamos nos antípodas do sistema. Acreditávamos que a literatura era o lugar do questionamento, da indagação, da crítica. Por vezes, muitas vezes, éramos severos em relacção ao establishment. Éramos rebeldes. Aníbal Aleluia tinha 63 anos e estava connosco. Isso foi extraordinário. Pode atestar-se aqui a sua juventude. Nos nossos convívios, entre cerveja, coca-cola e muita zombaria, seja no bar da Cindoca, na cave, ou nos bancos do jardim, da AEMO, divertíamo-nos a caricaturar, afectuosamente, o recorte peculiar do português do nosso Mais Velho Aníbal Aleluia.
Por vezes, perante aquela transbordante sabedoria, perguntava-lhe se não escreveria memórias. Admitia que sim. Mas também lembrava que a sua vida tinha sido marcada por dificuldades e que talvez “a leitura do meu testemunho acordaria em algumas pessoas recordações amargas.” E disse-me, na sequência disso, uma frase brutal: “Tenho um hábito que atrai empatias incómodas.” Dizia-o magoado, de certo modo, por se sentir incompreendido. Creio que ele morreu com essa mágoa. “Chamar as coisas pelos seus próprios nomes sem chamar nomes às pessoas.” Era isso o que ele dizia e praticava.
Em Fevereiro de 1989, fomos a Lisboa, a um congresso de escritores, ele partilhou comigo muita recordação da sua vida sofrida, das suas memórias magoadas, mas falou sempre com candura dos jovens que escreviam à época e foi gratificante ouvi-lo. Estava encantado com aquela viagem e um dia retornou ao hotel, exultante, depois de ter reencontrado Almeida Santos. No ano seguinte, fui-me embora daqui. Deixei de o ver. Continuei a lê-lo e a recordá-lo. Faleceu a 14 de Maio de 1993. À época redigi, para o Jornal de Letras, onde assentara arraiais, um “Elogio de Aníbal Aleluia”. Texto juvenil e ulcerado, comovido e agradecido. Como estou hoje e sempre.
Tenho-me recordado dele, amiúde. A sua bondade, a sua transbordante sabedoria, a sua cultura e a imensidão do seu carácter. O homem probo e generoso, que me aceitou, entre o fim da minha adolescência e o início da minha idade adulta, como seu igual, como seu par. Recordo-me das nossas intermináveis conversas. E estou grato a essa magnanimidade. A antiga Eduardo Noronha, no bairro da Coop, é agora Rua Aníbal Aleluia. Em tempos frequentei idilicamente aquela rua. Continuo a passar por lá. Ontem, divisando o nome na chapa da rua do meu bom amigo Aníbal Aleluia, inclinei ligeiramente a cabeça, em sua honra, agora que passam 25 anos sobre a sua morte, a quem faço esta humílima vénia aqui nestas páginas
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